quinta-feira, 29 de abril de 2021

O Inimigo de Deus - Bernard Cornwell

HBO e Netflix dormiram no ponto, a Trilogia Artur tinha potencial pra se tornar a nova Game of Thrones. Acabei de ler o livro 2 e digo que o material é explosivo, cinematográfico sem perder a pegada novelística. Pois foi comprada pelo canal a cabo Epix (MGM). Merecia destino mais nobre.

Inimigo de Deus, o segundo da trilogia, começa exatamente de onde terminou o primeiro: o fim de uma importante batalha e o início de um período de paz, que logo será perturbada pela ameaça saxã e pelas várias intrigas internas. Não é bom falar pra não estragar as surpresas. O livro tem mais de 500 páginas muito bem aproveitadas. Os calhamaços de Cornwell valem o investimento de tempo do leitor, ele tem muitas ideias e as conduz de forma a te tirar do sério, são VÁRIOS os momentos impactantes, reviravoltas desconcertantes, violência e traição. Chega a ser levemente superior ao primeiro da trilogia, O Rei do Inverno.

Cornwell não é um artesão da palavra, escreve toneladas de livros em ritmo industrial e tem seus momentos cafonas, dignos de novela mexicana (como a revelação sobre o passado de Derfel), mas tem a qualidade fortíssima de ser um contador de histórias nato, cheio de boas ideias que fazem valer a pena a leitura, ele tem REALMENTE algo a dizer, é indiscutivelmente um BOM escritor.

Depois da trilogia de Cornwell, você nunca mais vai ver as lendas arturianas da mesma forma, grande parte do material retratado em cinema, televisão e outros livros, vai parecer brincadeira de criança. Vale e muito a sua atenção.

4,5 estrelas