quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

Adeus, Minha Adorada - Raymond Chandler

 Infelizmente li a versão traduzida pela Marina Leão, um verdadeiro desastre que me forçou a fazer um exercício de "retradução": baseado no bizarro resultado eu imaginava o que a pessoa tinha lido em inglês e fazia a minha própria tradução.

Ok, esquecendo este grave problema, temos aqui Chandler no melhor de sua forma, um texto afiado como uma navalha. É a escola clássica a pleno vapor, a pedra angular do hard-boiled/noir que originou milhares de discípulos e imitadores: trama rocambolesca, plot twist, femme fatale, policiais corruptos, bandidos, trambiqueiros e claro, o anti-herói lutando contra o sistema, detetive particular Philip Marlowe.

Mesmo já muito imitado, o estilo Chandler ainda me surpreende. A fauna de personagens e situações por vezes beira o surreal. Como nas sequências envolvendo um índio e uma "casa de repouso". Não é a toa que o escritor tem tantos fãs ilustres não apenas nas letras, mas no cinema também.

Procure alguma edição sem a tradução da Marina e seja feliz. Isso aqui é a essência da pulp fiction, básico e indispensável na formação de qualquer leitor.

4 estrelas