sábado, 30 de janeiro de 2021

O Teatro de Sabbath - Phillip Roth

A década de 1990 foi o ápice de Philip Roth. O escritor arrebatou o National Book Award, Pulitzer e a National Medal of Arts, entre outros prêmios (menos "aquele"). O Teatro de Sabbath pertence a essa grande safra: acompanhamos aqui a trajetória do sessentão Mickey Sabbath, ex marinheiro, titereiro e libidinoso convicto. Provavelmente um dos personagens mais desagradáveis da história da literatura.

Nas mais de 500 páginas, Roth vira do avesso a vida desse bufão e do leque de personagens que teve a infelicidade de cruzar seu caminho. Longos diálogos vem entremeados por flashbacks onde vários dramas são intimamente dissecados. Um material pesado perturbador.

O livro é acima de tudo sobre sexo e morte. Então fique avisado que aqui tem sexo explícito e perversões que suponho só serem encontradas em livros hot. Casamento e velhice são também temas centrais da obra, tudo abordado sem concessões.

Um trabalho desconcertante de um Roth inspirado e com fome de escrita. Sabbath, um pesadelo politicamente incorreto em forma de sexagenário, é daqueles personagens que os leitores costumam confundir com o autor, e é bem sabido que por essas e outras Roth foi criticado e boicotado (especialmente "naquela" premiação sueca).

Ora, te parece correto ficar com raiva do ator quando ele interpreta um personagem odiável? Tem pessoas que detestam Roth pela misoginia/machismo/sexismo de alguns de seus personagens, mas o que sugerem essas críticas? Que a literatura seja composta por personagens moralmente aceitáveis? Isso é a morte da arte. Caso houvesse alguma ode a esse tipo de conduta seria outra história, mas o que temos são personagens decadentes frente a frente com as consequências de seus atos. A metralhadora Roth não poupa direita e esquerda. Leia e tire suas conclusões.

Não preciso recomendar o maior escritor da segunda metade do século 20, preciso?

4,5 estrelas