quinta-feira, 12 de novembro de 2020

A Insustentável Leveza do Ser - Milan Kundera

Já na metade tive certeza de que era o livro do ano, mais que isso, um dos livros da minha vida. Fiquei tão impactado que lamento não ser versado em filosofia e psicologia para uma melhor análise. Então vamos as platitudes: é um brilhante tratado sobre amor, sexo e natureza do desejo. Condição humana de um modo geral. 

Um livro de quase 400 páginas constituído de capítulos curtíssimos e arrasadores. Kundera é dono de escrita elegante, mas não se engane com a insustentável leveza da prosa, cada página é um jab, um direto, um cruzado no emocional do leitor. Antes da metade me questionei se Kundera conseguiria manter esse ritmo vertiginoso nas 400 páginas, pois pra minha surpresa ele não só mantém a absurda intensidade, como amarra todos os núcleos e expande os temas. É assombroso e belo o que ele faz! Se dá ainda ao luxo de inserir altas doses de política e um olhar afetuoso sobre animais domésticos. 

2 homens, 2 mulheres e 1 cão, 5 personagens que tem sua psiquê desnudada sem dó nem piedade pelo escritor, que por tabela desnuda obviamente o leitor. No fim das contas e das páginas, nossa patética condição humana fica ali, escancarada em sua gloriosa incoerência e beleza. 

A Insustentável Leveza do Ser é daqueles livros que você leva na memória pra sempre. Não descarto a possibilidade de pernósticos o considerarem um tanto kitsch, porém devo ser sincero com meu coração e reconhecer a grandeza desta obra-prima avassaladora. Leia já. 

5 estrelas