sábado, 29 de agosto de 2020

Los Angeles: Cidade Proibida - James Ellroy

 Não gosto de reler livro, a vida é curta e os livros muitos. Abri essa exceção pra não perder o fio da meada do chamado “Quarteto de Los Angeles”, os 4 livros que consagraram James Ellroy como um dos grandes da Literatura Policial. Los Angeles Cidade Proibida é o terceiro da série, e claro, como acontece com todas as releituras, mudei a percepção que tinha dele. Pra começar, temos o modus operandi típico de Ellroy: 3 protagonistas, dezenas de coadjuvantes, 1 crime principal conectado a outros, investigação complexa, rocambolesca.


O trio de protagonistas (Ed, Bud e Jack) é sem dúvida um dos melhores já criados pelo Ellroy, apresenta traços distintos e dramas palpáveis. O pontapé da trama é o massacre ocorrido numa cafeteria, no entanto, duas outras séries de crimes vão se conectar criando um painel intrincado e que demanda atenção do leitor.


É curioso constatar que este livro, mais complexo que Dália Negra e O Grande Deserto (partes 1 e 2 do Quarteto), ganhou uma versão cinematográfica muito bem sucedida (indicações ao Oscar, inclusive Melhor Filme, vencendo roteiro e atriz coadjuvante), enquanto que Dália fracassou mesmo nas mãos do De Palma, e Grande Deserto nunca saiu do papel.


Já numa comparação literária, Los Angeles fica um pouco abaixo dos anteriores. Ellroy foi longe demais em sua rede de intrigas e depois se enrolou todo pra desatar os nós. Na tradição dos mistérios policiais, uma determinada informação chave decifra o quebra-cabeças, Ellroy aqui segue o caminho mais inverso possível e gasta dezenas, vou repetir, DEZENAS de páginas pra tentar explicar o porquê dos 3 crimes. São explicações tão fragmentadas que fica impossível não voltar páginas pra pescar informações perdidas lá atrás. Tenha em mente uma coisa, você vai ter que decorar nomes de coadjuvantes e o que eles fizeram!


No final das contas, a conclusão da(s) trama(s) não chega a ser 100% satisfatória, claro que Ellroy escreve pra caramba e se esforça pra não deixar nenhum detalhe esquecido, mas realmente abusa de coincidências espetaculares e comportamentos esdrúxulos. Mesmo com todas as ressalvas aqui colocadas, devo dizer que avalio Ellroy sob altos padrões de exigência e concorrendo com ele mesmo. O cara é provavelmente o maior autor policial vivo e não preciso te dizer que você deve ler este livro, de preferência na sequência correta do Quarteto. Boa leitura.


4 estrelas