terça-feira, 28 de abril de 2020

Ficções - Jorge Luis Borges

Borges pertence ao grupo dos escritores difíceis, aqueles de erudição impenetrável que exigem a alma do leitor. Peguei porrada na minha primeira incursão a Ficções, me faltou paciência e concentração, agora prometi que iria até o fim e realmente valeu a pena.

Começa com Tlön Uqbar Orbis Tertius e Pierre Menard, duas muralhas herméticas capazes de fazer o leitor desavisado fugir do livro mais rápido que o Usain Bolt. Quem ousar seguir vai encontrar duas pérolas: As Ruínas Circulares e A Loteria da Babilônia, esta última uma pequena obra-prima.

Se você chegou ao quinto conto provavelmente pegou o ritmo da coisa e vai até o fim. Começa uma alternância de momentos de curiosa erudição (O Exame da Obra de Herbert Quain, A Biblioteca de Babel, A Morte e a Bússola, etc) com outros de brilho mais acessível (Funes O Memorioso, O Milagre Secreto, O Sul, etc).

Todos os contos são amarrados pelas temáticas preciosas ao escritor: livros, bibliotecas, sonhos e labirintos. É admirável e único seu alcance criativo. Do alto de sua excelência, Borges curiosamente se permite um pecadilho pulp: finais surpresa.

Jorge Luis Borges nunca será fácil, certamente continuará mais famoso que propriamente lido. Em todo caso, recomendo fortemente a leitores mais experientes e sem medo de desafios.

4 estrelas