terça-feira, 24 de abril de 2012

Pipoca do Círculo Militar de Belém - Depoimentos de quem fez e frequentou (1985-1995)



"Fui ao Círculo Militar para vender vinil ao Guta, irmão de Tarika, dois grandes DJs da época. Porém, para minha surpresa, Guta me convidou para ser DJ da pista de dança mais famosa da época, já que sempre estava atualizado pois mandava buscar vinis da Europa e de São Paulo. Topei e foi inesquecível conviver como uma família, desde os seguranças, garçons, garçonetes e todos que faziam esta grande festa que para todos começavam as 18:00 h, mas para nós; Guta, Beckman,Toninho, Garibinha e eu, Marcelo; que tínhamos que passar som e iluminação, às vezes começávamos na terça feira para que no domingo nada atrapalhasse o brilho da Pipoca. Foi com certeza a melhor época da minha vida ver toda aquela galera na fila para entrar e depois, na boate refrigerada, suar dançando os melhores hits da época que pra mim nunca vão ser substituídos: New Order, Depeche Mode, Pet Shop Boys, Erasure, Eurythimics, Level 42, The Smiths, The Cure, New wave do vinil mamão com açúcar com Billie Idol e B52's. Aos anos 90, com Double You, Cuture Beat, 2 Brother, Master boy, African Bambata, Outa Control e muitos que faziam a galera gritar de delírios no mundo da pista de dança do Círculo Militar."
Prof. Marcelo Costa (DJ Marcelo Bulldog)


"Caros amigos, fico muito feliz em encontrar pessoas que curtiram meu trabalho, pois eu e o Guta, e muito depois o Beckman, é que fizemos o som naquela boate ao longo dos anos que a mesma funcionou. Porém, não posso esquecer outras pessoas passaram por lá e fizeram suas mixagens, como foi o caso do Marcio Rezende, Antonio Assef, Jorge Hamilton, Danilo Malaquias, Ronaldo Marques (Diablo), Alden Boy (ainda hétero) e muitos outros. Existem outras pessoas que não devem ser esquecidas, como foi o caso do meu grande amigo Kleber Barros, que naquele tempo ainda não possuía o talento de dj que alguns anos depois veio demonstrar. Também vale relembrar de um frequentador assíduo da pipoca (sorvete dançante) que hoje é um dos costureiros mais famosos do Brasil, Andre Lima, que tinha uma turma muito louca que eu apelidei de "os psicodélicos". Era o pessoal que frequentava as festas com as roupas mais bem transadas para aquela época. O Andre foi o primeiro cara que me pediu para tocar House Music na boate, pois tinha escutado em São Paulo o Technotronic e queria escutar a music Pump Up Jam. Toquei a música, porém levei uma vaia, pois até então o som que predominava era o rock daquelas bandas tipo U2, The Smiths, PIL, The Clash, The Sister Of Mercy, Simple Minds, The Cure e outra mais. Vale também lembrar que o Círculo era uma boate de vanguarda, pois era a única que tocava musicas que não tocavam em lugar algum naquela época, como era o caso das bandas: Red Flag, Camuflage, New Order, Depeche Mode, Cause & amp; Effect, Cetu Javu (lembram disso?), E.B.T.G., Information Society, The House Martins, B52's, Duran Duran, OMD e etc. Por outro lado, o Círculo foi a unica boate em Belém que atravessou várias gerações de música ao longo dos anos, partindo do Flash Back, para o rock nacional (lembrem dos Replicantes: Surfista Calhorda), rock progressivo, New Wave, Tecnopop, Synthpop, dance (hoje chamado de mid), House, Dance Music etc. Ou seja, que vejo uma festa do estilo "Pac 80's", não consigo vislumbrar essa década (80's) sem lembrar o Círculo Militar."
DJ Gariba

"Comecei em 1990 com 14 pra 15 anos de idade incentivados pelo cunhado “Guta”, que promovia os eventos, e Gariba era o DJ Residente.
Guta num certo dia chegou pra mim e perguntou se tinha vontade de trabalhar com ele no Círculo Militar, tendo em vista meu conhecimento e vontade de ouvir musica, na época curtia muito RPM, A-Ha, Engenheiros do Havaí, Rick Astley entre outros.
Guta me deu os toques juntamente com Gariba e fui aprendendo sozinho, lavava os mk’s pra casa e de 20 mixagens acertava uma. Com 4 meses praticando comecei a aprender e com 6 meses já tinha aprendido, foi quando comecei a fazer 15 anos, colação, aniversário de criança e debutante.
Tocava de quarta a sábado e quando amadureci, e aprendi de fato, comecei a fazer a pipoca juntamente com Gariba, os únicos DJ’s residentes a partir de 1991, já que meu cunhado “Guta” apenas organizava o evento. Desde então, Gariba e eu fizemos uma amizade solida e com muitos benefícios pra mim, já que sempre recebia muitos conselhos dele e sempre o tive como um irmão mais velho, tenho o mesmo como um irmão até hoje.
De fato, atribuo minha inicialização como DJ a meu cunhado “Guta”, como Gariba já falou quase tudo sobre o Círculo, seria redundante repetir.
Depois apareceram todos os outros DJ’s citados pelo Gariba e certamente todos foram muito bem acolhidos e recebidos por nós, afinal nunca houve problema com família Círculo Militar."
DJ Beckman

"Tempos bons que não voltam! Eu,minha irmã Mônica,nossa prima Cléo e minha eterna companheira Adriana, contávamos os dias para chegar o tão esperado domingo.
Certo dia os ônibus de Belém estavam de greve, mas mesmo assim metemos a cara e fomos de táxi, juntando todo o dinheiro que tínhamos. Dançamos até o fim da pipoca e acabamos esquecendo do problema da condução, gastamos o dinheiro do táxi e tivemos que voltar andando, agora pensem: cidade velha-guamá. Sorte nossa encontramos alguns colegas que estavam na mesma situação e voltamos todos juntos na maior brincadeira, apanhando manga e conversando. Sinto tanta saudade dessa época! A gente é feliz e não sabe. Ah! Anos 80, saudades dessa década que sai da infância, passei pela adolescência e no fim me tornei adulta."
Silvia Malcher


"Cara, lendo estes relatos de vocês, viajei no tempo voltei rapidamente para o ano de 1986. É galera, neste ano finalmente meus pais liberaram minha ida a grande pipoca do Círculo Militar, tempo bom, minha primeira festa, tinha 14 anos rsrsr e hj tenho 36. Acreditem, ate hoje lembro daqueles domingos e lembro de todos os amigos que fiz lá. Engraçado, rolava isso, vocês lembram? Você fazia amizades e marcava para o próximo domingo se ver lá. Ainda hoje, quando encontro meus amigos da antiga rua onde vivi, poxa, comentamos muito sobre as nossa idas ao Círculo. Muitas gatas e muitas aventuras, tenho saudades, acredite. Hoje, viajo toda semana para Cametá, pego a lancha ali próximo e todos os dias que passo lá na frente me da uma enorme tristeza, pois ali galera, vivi a melhor parte de minha vida. Acho que só quem um dia esteve lá sabe e sente o que era ir ao Círculo Militar (quero deixar aqui um grande abraço aos amigos de todos os domingos, amigos fieis, amigos de infância: grande Bolota, Bula, Trauma, Banha, Edmar ou Bronco para os amigos, Guto e Eduardo). Lembram, amigos? Eramos uma verdadeira equipe. Bom para vocês da comunidade um grande abraço e obrigado por não deixarem morrer esta memória, como falávamos na época após a pipoca: até domingo que vem, maluco rsrsrsrsr"
Heitor