domingo, 8 de abril de 2012

Xingu

Entendo que “filme sobre índio” não seja lá o programa mais estimulante pra levar o cidadão médio ao cinema. Eu mesmo só fui conferir por falta de algo supostamente mais divertido e tive a surpresa do ano: sai profundamente emocionado. Xingu é uma obra-prima épica e irretocável. Confundiu a crítica e provavelmente não vai ser sucesso de bilheteria.

Só resta então tentar traduzir pra você o poder deste magnífico filme: assisti-lo foi como ser atingido por um raio. Lá pelo meio saquei que estava fascinado e me perguntei até onde o diretor Cao Hamburguer seria capaz de impressionar, pois além de continuar magnetizado por cada minuto avançado, as duas cenas finais (antes das de arquivo) quase me fizeram chorar de tão incrivelmente lindas.

É um filme belíssimo e tecnicamente impecável, brilhantemente escrito e dirigido. No elenco, Caio Blat está ok, mas o show mesmo é de Felipe Camargo e João Miguel. O primeiro entrega a melhor atuação de sua carreira; já o segundo mereceria ganhar todos os prêmios de interpretação do planeta. A naturalidade, a verdade, de João Miguel em cena é de fazer frente aos gigantes do Actors Studio, genial.

Uma história de coragem e perseverança que merecia ser contada, precisava ser contada. Mesmo que não faça o sucesso de um “Se Eu fosse Você” da vida, é confortante pensar que o filme vai estar pra sempre entre nós, podendo ser visto e revisto toda vez que necessitarmos de sua poderosa lição.