quarta-feira, 6 de maio de 2009

Obrigado por Fumar

Nick Naylor (Aaron Eckhart) tem um inusitado emprego, o de lobista da indústria do fumo. Seu trabalho consiste em ser o testa de ferro do tabagismo, o porta voz que tem sempre na ponta da língua, respostas a qualquer crítica ou questionamento dos “inimigos” do cigarro A estréia do diretor e roteirista Janson Reitman, filho do veterano Ivan Reitman (Caçafantasmas, Minha Super Ex-namorada), levanta uma questão crucial: até que ponto a manipulação interfere na liberdade de escolha? Vivemos uma liberdade manipulada? Para nossa sorte, o espectador não precisará se preocupar com questões “cabeça” como esta. Obrigado por Fumar é muito bem humorado; humor negro, irônico e sarcástico. Ainda assim, uma divertida comédia.
O longa é para a indústria do fumo, o que Senhor das Armas é para a indústria bélica: uma visão histérica, cínica, das entranhas de uma milionária mega-corporação, produtora de um artigo viciante e mortal. Enquanto o filme de Andrew Niccol beira o drama, aqui, o humor (negro) fala mais alto. Nicky Naylor, dotado de retórica, poder de persuasão, e um clássico semblante estilo “Capitão América”, tem plena consciência que seu produto mata milhares de pessoas por dia, mas parece não se importar, pelo contrário, tem um tremendo orgulho da eficiência com que desempenha tal função. Chega a dizer que faz o que faz pelos mesmos motivos dos nazistas condenados em Nuremberg, pagar a hipoteca. Alguns dos melhores momentos, residem nos encontros deste anti-herói com dois “amigos” de profissão (uma é lobista de bebidas alcoólicas, o outro de armas de fogo). Em determinada seqüência, o trio engata uma discussão sobre quem causa mais desgraças a humanidade. O hilário é perceber a vontade que cada um tem, de superar o outro neste quesito.
A história mostra a habilidade de Naylor em manipular informações, Com a missão de melhorar a imagem do cigarro, agrega inimigos que vão de organizações, como os vigilantes da saúde, até o Senador Ortolan K. Finistirre (William H. Macy), que deseja colocar rótulos de veneno nos maços de cigarros. Sua crescente fama chama atenção de Heather Holloway (Katie Holmes), repórter de um jornal de Washington que deseja investigá-lo, e de seu filho Joey (Cameron Bright), o que começa a preocupá-lo.
Uma promissora estréia do diretor Jason Reitman, que além da boa direção e roteiro, mandou cartas para os principais atores do elenco, explicando o porquê de cada um ser imprescindível para o papel. Acabou reunindo um ótimo time: Aaron Eckhart como Nicky Naylor (aqui, melhor que em Dália Negra), Maria Bello (Poll Bailey), Robert Duvall (Doak "Capitão" Boykin), Katie Holmes (a bonitinha não compromete como a repórter Heather Holloway), Rob Lowe (como figurão de Hollywood, Jeff Megall, o ídolo teen dos 80’s é o mais fraco) e William H. Macy (senador Ortolan K. Finistirre). Mesmo perigando deixar uma imagem ambígua (até pela simpatia com que trata o protagonista), pequenos detalhes, como o fato de nenhum ator aparecer fumando em todo o filme, definem um sutil posicionamento do diretor. Feito com US$ 6,5 milhões, fez boa carreira nas bilheterias e recebeu 2 indicações ao Globo de Ouro, nas categorias de Melhor Filme - Comédia/Musical e Melhor Ator - Comédia/Musical (Aaron Eckhart) e 2 indicações ao Independent Spirit Awards, nas categorias de Melhor Ator (Aaron Eckhart) e Melhor Roteiro. Só comete o pequeno deslize de deixar uma ou outra cena por demais caricata (talvez atrás de risos). Confira.