quarta-feira, 27 de julho de 2022

Diários da Heroína - Nikki Sixx, Ian Gittins

Nikki Sixx é o líder do Motley Crue, banda pioneira do hard rock angeleno 80's, pejorativamente chamado de hair metal. Aqui, o autor reproduz as anotações de 1 ano de sua vida de rockstar, totalmente ancorada na filosofia sexo, drogas e rock 'n' roll. 

Diários da Heroína cobre 1987, desde a composição e gravação do disco Girls Girls Girls, passando pela enorme tour promocional, até a overdose que quase o matou. Não é leitura pra todo mundo: fãs do Motley ou interessados nos bastidores do rock vão gostar, o público comum talvez ache um tanto repetitivo o looping palco, drogas e loucura. Claro que ninguém é ingênuo de acreditar que os diários estão transcritos na integra, com certeza Nikki deu uma boa manipulada em toda informação aqui contida, mas vá lá, é divertido.

Há ainda um imenso posfácil, com um resumo da vida do autor até praticamente os dias de hoje. No final acaba sendo um bom retrato tanto da vida de um rockstar, quanto da de um viciado em heroína. É fascinante, repulsivo e também nostálgico.

3,5 estrelas

sábado, 16 de julho de 2022

Excalibur - Bernard Cornwell

Tragam um Nobel urgente pra esse homem. Bernard Cornwell é daqueles que levam a pulp fiction a um patamar especial, escreve em ritmo industrial e VALE cada uma das centenas de páginas de seus calhamaços. 

Aqui, encerra de forma bombástica a trilogia do Senhor da Guerra, iniciando exatamente onde termina Inimigo de Deus, e sim, teremos grandes surpresas vindo da parte de Merlin e Artur. Cornwell, sempre inteligente, mostra facetas inesperadas dos personagens e cria aquela sensação de que tudo pode acontecer e ninguém está a salvo.

Curiosamente, este terceiro volume é o que mais se permite explicações místicas e esotéricas. No início até estranhei, pois o grande charme da trilogia é justamente essa pegada realista, mas aí entra o final arrebatador e você perdoa qualquer pequeno deslize. A conclusão, um corte seco e cinematográfico, dá um nó na garganta e te faz querer ler mais material do escritor. 

Uma pena que esse material, com potencial pra ser uma nova Game of Thrones, tenha caído nas mãos do canal Epix, e não na HBO ou Netflix. 

4 estrelas

sábado, 4 de junho de 2022

1984 - George Orwell

Lançado em 1949, continua assustador e atual. É provavelmente a distopia mais famosa da literatura, tendo muitas de suas ideias incorporadas a cultura popular. O plot é bem conhecido: num estado futurista totalitário, onde o governo observa cada passo dos cidadãos, Winston Smith resolve se rebelar e ir contra as diretrizes do Big Brother (lider supremo do Partido), assumindo um comportamento que pode levá-lo a morte.

O exemplo mais óbvio da inspiração Orwelliana foi certamente a União Soviética Stalinista (Big Brother = Stalin, Goldstein = Trotsky), tendo sido a obra, desde então, "adotada" por parte da direita como um exemplo dos males de uma sociedade comunista. É uma interpretação válida, porém limitadora. 1984 na verdade diz respeito a qualquer estado totalitário, fala sobre autoritarismo puro e simples, que conforme a história nos ensinou, pode vir das mais diversas vertentes políticas.

O livro não apenas continua atual, como ainda é capaz de acionar gatilhos perturbadores a ponto de inviabilizá-lo aos mais sensíveis. Então fica o aviso de que há descrição de tortura física e mental, além crueldades diversas. Não chega a ser uma leitura difícil, apenas pesada e de elevado teor político.

Agora, o que sustenta o status icônico de 1984, o que o leva a atravessar décadas mantendo a popularidade, é seu caráter visionário. É simplesmente impressionante como ele hoje, 2022, é mais atual do que jamais foi. Você pode criar vários paralelos entre o conteúdo aqui presente e o cotidiano recente: celulares/redes sociais como teletela; relativismo como duplipensamento; revisionismo histórico como Ministério da Verdade; fake news como 2+2=5, e por aí vai.

Por suas qualidades puramente literárias, sólidas 4 estrelas seria a avaliação justa pra obra, acontece que 1984 vai muito além de páginas escritas, é uma força da cultura pop, um farol incansável na missão de alertar o prejuízo que a opressão estatal pode nos causar. 

5 estrelas

quinta-feira, 12 de maio de 2022

Playstation 5: Spider-Man Miles Morales, Demon's Souls e Days Gone

Spider-Man Miles Morales: uma super DLC do Spider-Man de 2018 que, vá lá, dá até pra considerar um jogo completo com suas 10 horas de duração. De cara, a Insomniac bombardeia o jogador com tutorial em cima de tutorial, uma forma pouco orgânica de apresentar as mecânicas do jogo. Passada a aula sobra um game muito divertido, bonito, com personagens carismáticos e história decente. A natalina Nova York do jogo é de encher os olhos, com suas mudanças de clima e efeitos de luz. Recomendo jogar no modo RT 60fps, um meio termo entre performance e gráficos.

Nota 8,5


Demon's Souls: remake quase 100% fiel ao jogo de 2009. Tenho que tirar o chapéu pra Bluepoint, fez um trabalho de transposição magnífico e incrivelmente respeitoso com o original. O jogo é o primeiro "Souls" do genial Hidetaka Miyazaki, e apesar do gênero ter ganho notoriedade forte com o game seguinte (Dark Souls), aqui você já encontra todos os alicerces que abalaram de forma contundente a indústria. Demon's Souls não é um ensaio, um aperitivo pro que estaria por vir, ele é completo, bem acabado e totalmente satisfatório...claro, DIFICÍLIMO também. A gênese do souls-like. 

Nota 10


Days Gone: demorou mais de 5 anos pra ficar pronto e quando saiu apresentou grandes problemas de bugs e performance. Bem, eu joguei só agora no PS5 e ele ainda tem defeitos, mas no geral está bonito e estável, rodando a 60fps com quedas pontuais. Ele tem muitas qualidades: boa história, personagens carismáticos, mundo aberto divertido, jogabilidade funcional. Tem também problemas, como a repetição insuportável de missões secundárias e o fato de se alongar artificialmente até o limite da paciência. A campanha é enorme sem necessidade e tem mecânicas que deveriam ser divertidas, mas acabam sendo um saco, como a necessidade de reabastecer a moto. Claro que não posso esquecer a grande sacada do game, as hordas: momentos em que você combate centenas de inimigos ao mesmo tempo, onde garra, estratégia e muita munição, são indispensáveis pra vitória. Pena que você só estará apto a vencê-las bem mais a frente, na verdade lá perto do final. Resumindo, Days Gone é um exclusivo sem o polimento de franquias como Last of Us e God of War, porém, bom o suficiente pra ser jogado até o fim. 

Nota 7,5

terça-feira, 3 de maio de 2022

Jim Morrison, Ninguém Sai Vivo Daqui - Jerry Hopkins, Danny Sugerman

"Nunca conheça seus heróis de perto", já dizia algum sábio. Escrita por um jornalista e um ex-empresário da banda, essa biografia do líder do The Doors tem qualidades e alguns probleminhas. De cara você percebe a ágil edição da obra, que não perde tempo e centra fogo em todas as polêmicas e escândalos possíveis. É tudo veloz como a trajetória do biografado.

Se por um lado você não vai se entediar, por outro faltam detalhes importantes, como o relacionamento de Jim com o resto da banda e até mesmo o processo de composição e detalhes sobre a gravação dos clássicos álbuns de estúdio. 

Publicada pela primeira vez em 1980, foi best-seller instantâneo e notório pela forma polêmica em que Morrison é retratado. O Rei Lagarto é mostrado como uma figura desagradável, um louco drogado que se diverte "pregando peças" em namoradas e amigos. Ele é inteligente, é talentoso, mas também um insuportável alcoólatra suicida.

No final das contas, entre a repulsa e a admiração, constato que Morrison, anjo torto que nunca foi santo, veio, bagunçou tudo e foi dessa pra eternidade: "Wandering, wandering in hopless night.
Out here in the perimeter there are no stars.
Out here we is stoned.
Immaculate".

3,5 estrelas

quinta-feira, 7 de abril de 2022

Playstation 5 - os primeiros jogos zerados: Bloodborne, Call of Duty Black Ops 3 e Last of Us 2

Bloodborne: experimentei no lançamento, achei dificílimo e desisti. Hoje, fã da fórmula souls, foi um dos motivos da aquisição do PS5. Pois o jogo é exatamente o que eu esperava: design genial, jogabilidade precisa, lore instigante, tudo com uma assustadora pegada de terror lovecraftiano. Como em todo jogo do Miyazaki, você morre dezenas de vezes e em alguns momentos não sabe pra onde ir, mas no geral minha  progressão foi divertida e sem muita dor de cabeça. Esperava uma obra-prima e me foi entregue exatamente isso. Nota 10.


Call of Duty Black Ops 3: tinha esquecido o quanto as campanhas de CoD são divertidas. Esse Black Ops 3 se passa num futuro próximo e tem uma história bem sacada, tiroteio frenético, jogabilidade precisa, além de trechos mais difíceis que o habitual. É tudo que se espera de um AAA da franquia número 1 da Activision. O Rei dos fps não perde a majestade nunca. Nota 8,5.


Last of Us 2: é simplesmente o jogo mais premiado já feito. Eu havia zerado o excelente Last 1, então a expectativa era alta. Pois conseguiu superar tudo que eu imaginava. Logo nas primeiras horas saquei que estava diante de algo inédito: nunca um jogo de videogame foi tão longe na ambição de se superar, de pegar tudo que foi feito e jogar alguns degraus acima. É a mais brutal das tramas de vingança e vai pisar no teu emocional sem piedade. Tudo amparado pelos melhores gráficos, melhor jogabilidade, melhor design. Um material adulto e desafiador que inclusive gerou insatisfação numa minoria preconceituosa. Um dos 3 melhores jogos que já joguei. Nota 10.

segunda-feira, 28 de março de 2022

O Chamado de Cthulhu - H. P. Lovecraft

Um dos contos mais famosos do mestre Lovecraft, publicado inicialmente em 1928 pela pulp magazine Weird Tales. Bem escrito, sem diálogos diretos (que dizem ser o ponto fraco do escritor), foi inicialmente rejeitado pelo editor da Weird Tales, e só publicado depois da intervenção de um amigo do escritor.

Narra a pesquisa empreendida pelo personagem Francis Wayland Thruston a respeito de uma seita adoradora de uma entidade demoníaca chamada Cthulhu, que viveria preso numa ilha perdida no pacífico esperando apenas o momento certo de retornar.

É melhor não dar muitos detalhes desta história que com certeza é mais um daqueles voos de imaginação tortos e desconcertantes de Lovecraft, um belo exemplar de sua assinatura mais notória: o horror cósmico.

Apesar dos quase 100 anos, não é uma leitura difícil e continua influenciando tanto escritores quanto artistas de outras áreas. Pro fã de terror é mais que obrigatório, é dever moral dar uma conferida.

4 estrelas