sábado, 4 de junho de 2022

1984 - George Orwell

Lançado em 1949, continua assustador e atual. É provavelmente a distopia mais famosa da literatura, tendo muitas de suas ideias incorporadas a cultura popular. O plot é bem conhecido: num estado futurista totalitário, onde o governo observa cada passo dos cidadãos, Winston Smith resolve se rebelar e ir contra as diretrizes do Big Brother (lider supremo do Partido), assumindo um comportamento que pode levá-lo a morte.

O exemplo mais óbvio da inspiração Orwelliana foi certamente a União Soviética Stalinista (Big Brother = Stalin, Goldstein = Trotsky), tendo sido a obra, desde então, "adotada" por parte da direita como um exemplo dos males de uma sociedade comunista. É uma interpretação válida, porém limitadora. 1984 na verdade diz respeito a qualquer estado totalitário, fala sobre autoritarismo puro e simples, que conforme a história nos ensinou, pode vir das mais diversas vertentes políticas.

O livro não apenas continua atual, como ainda é capaz de acionar gatilhos perturbadores a ponto de inviabilizá-lo aos mais sensíveis. Então fica o aviso de que há descrição de tortura física e mental, além crueldades diversas. Não chega a ser uma leitura difícil, apenas pesada e de elevado teor político.

Agora, o que sustenta o status icônico de 1984, o que o leva a atravessar décadas mantendo a popularidade, é seu caráter visionário. É simplesmente impressionante como ele hoje, 2022, é mais atual do que jamais foi. Você pode criar vários paralelos entre o conteúdo aqui presente e o cotidiano recente: celulares/redes sociais como teletela; relativismo como duplipensamento; revisionismo histórico como Ministério da Verdade; fake news como 2+2=5, e por aí vai.

Por suas qualidades puramente literárias, sólidas 4 estrelas seria a avaliação justa pra obra, acontece que 1984 vai muito além de páginas escritas, é uma força da cultura pop, um farol incansável na missão de alertar o prejuízo que a opressão estatal pode nos causar. 

5 estrelas

quinta-feira, 12 de maio de 2022

Playstation 5: Spider-Man Miles Morales, Demon's Souls e Days Gone

Spider-Man Miles Morales: uma super DLC do Spider-Man de 2018 que, vá lá, dá até pra considerar um jogo completo com suas 10 horas de duração. De cara, a Insomniac bombardeia o jogador com tutorial em cima de tutorial, uma forma pouco orgânica de apresentar as mecânicas do jogo. Passada a aula sobra um game muito divertido, bonito, com personagens carismáticos e história decente. A natalina Nova York do jogo é de encher os olhos, com suas mudanças de clima e efeitos de luz. Recomendo jogar no modo RT 60fps, um meio termo entre performance e gráficos.

Nota 8,5


Demon's Souls: remake quase 100% fiel ao jogo de 2009. Tenho que tirar o chapéu pra Bluepoint, fez um trabalho de transposição magnífico e incrivelmente respeitoso com o original. O jogo é o primeiro "Souls" do genial Hidetaka Miyazaki, e apesar do gênero ter ganho notoriedade forte com o game seguinte (Dark Souls), aqui você já encontra todos os alicerces que abalaram de forma contundente a indústria. Demon's Souls não é um ensaio, um aperitivo pro que estaria por vir, ele é completo, bem acabado e totalmente satisfatório...claro, DIFICÍLIMO também. A gênese do souls-like. 

Nota 10


Days Gone: demorou mais de 5 anos pra ficar pronto e quando saiu apresentou grandes problemas de bugs e performance. Bem, eu joguei só agora no PS5 e ele ainda tem defeitos, mas no geral está bonito e estável, rodando a 60fps com quedas pontuais. Ele tem muitas qualidades: boa história, personagens carismáticos, mundo aberto divertido, jogabilidade funcional. Tem também problemas, como a repetição insuportável de missões secundárias e o fato de se alongar artificialmente até o limite da paciência. A campanha é enorme sem necessidade e tem mecânicas que deveriam ser divertidas, mas acabam sendo um saco, como a necessidade de reabastecer a moto. Claro que não posso esquecer a grande sacada do game, as hordas: momentos em que você combate centenas de inimigos ao mesmo tempo, onde garra, estratégia e muita munição, são indispensáveis pra vitória. Pena que você só estará apto a vencê-las bem mais a frente, na verdade lá perto do final. Resumindo, Days Gone é um exclusivo sem o polimento de franquias como Last of Us e God of War, porém, bom o suficiente pra ser jogado até o fim. 

Nota 7,5

terça-feira, 3 de maio de 2022

Jim Morrison, Ninguém Sai Vivo Daqui - Jerry Hopkins, Danny Sugerman

"Nunca conheça seus heróis de perto", já dizia algum sábio. Escrita por um jornalista e um ex-empresário da banda, essa biografia do líder do The Doors tem qualidades e alguns probleminhas. De cara você percebe a ágil edição da obra, que não perde tempo e centra fogo em todas as polêmicas e escândalos possíveis. É tudo veloz como a trajetória do biografado.

Se por um lado você não vai se entediar, por outro faltam detalhes importantes, como o relacionamento de Jim com o resto da banda e até mesmo o processo de composição e detalhes sobre a gravação dos clássicos álbuns de estúdio. 

Publicada pela primeira vez em 1980, foi best-seller instantâneo e notório pela forma polêmica em que Morrison é retratado. O Rei Lagarto é mostrado como uma figura desagradável, um louco drogado que se diverte "pregando peças" em namoradas e amigos. Ele é inteligente, é talentoso, mas também um insuportável alcoólatra suicida.

No final das contas, entre a repulsa e a admiração, constato que Morrison, anjo torto que nunca foi santo, veio, bagunçou tudo e foi dessa pra eternidade: "Wandering, wandering in hopless night.
Out here in the perimeter there are no stars.
Out here we is stoned.
Immaculate".

3,5 estrelas

quinta-feira, 7 de abril de 2022

Playstation 5 - os primeiros jogos zerados: Bloodborne, Call of Duty Black Ops 3 e Last of Us 2

Bloodborne: experimentei no lançamento, achei dificílimo e desisti. Hoje, fã da fórmula souls, foi um dos motivos da aquisição do PS5. Pois o jogo é exatamente o que eu esperava: design genial, jogabilidade precisa, lore instigante, tudo com uma assustadora pegada de terror lovecraftiano. Como em todo jogo do Miyazaki, você morre dezenas de vezes e em alguns momentos não sabe pra onde ir, mas no geral minha  progressão foi divertida e sem muita dor de cabeça. Esperava uma obra-prima e me foi entregue exatamente isso. Nota 10.


Call of Duty Black Ops 3: tinha esquecido o quanto as campanhas de CoD são divertidas. Esse Black Ops 3 se passa num futuro próximo e tem uma história bem sacada, tiroteio frenético, jogabilidade precisa, além de trechos mais difíceis que o habitual. É tudo que se espera de um AAA da franquia número 1 da Activision. O Rei dos fps não perde a majestade nunca. Nota 8,5.


Last of Us 2: é simplesmente o jogo mais premiado já feito. Eu havia zerado o excelente Last 1, então a expectativa era alta. Pois conseguiu superar tudo que eu imaginava. Logo nas primeiras horas saquei que estava diante de algo inédito: nunca um jogo de videogame foi tão longe na ambição de se superar, de pegar tudo que foi feito e jogar alguns degraus acima. É a mais brutal das tramas de vingança e vai pisar no teu emocional sem piedade. Tudo amparado pelos melhores gráficos, melhor jogabilidade, melhor design. Um material adulto e desafiador que inclusive gerou insatisfação numa minoria preconceituosa. Um dos 3 melhores jogos que já joguei. Nota 10.

segunda-feira, 28 de março de 2022

O Chamado de Cthulhu - H. P. Lovecraft

Um dos contos mais famosos do mestre Lovecraft, publicado inicialmente em 1928 pela pulp magazine Weird Tales. Bem escrito, sem diálogos diretos (que dizem ser o ponto fraco do escritor), foi inicialmente rejeitado pelo editor da Weird Tales, e só publicado depois da intervenção de um amigo do escritor.

Narra a pesquisa empreendida pelo personagem Francis Wayland Thruston a respeito de uma seita adoradora de uma entidade demoníaca chamada Cthulhu, que viveria preso numa ilha perdida no pacífico esperando apenas o momento certo de retornar.

É melhor não dar muitos detalhes desta história que com certeza é mais um daqueles voos de imaginação tortos e desconcertantes de Lovecraft, um belo exemplar de sua assinatura mais notória: o horror cósmico.

Apesar dos quase 100 anos, não é uma leitura difícil e continua influenciando tanto escritores quanto artistas de outras áreas. Pro fã de terror é mais que obrigatório, é dever moral dar uma conferida.

4 estrelas

quarta-feira, 23 de março de 2022

Sai Xbox Series S, chega Playstation 5

Passei 1 ano com o Xbox Series S, belo console, agora sigo de Playstation 5. Jogos zerados no período: 


Jedi Fallen Order

Outriders

The Outer Worlds

Need for Speed Heat

Need for Speed Rivals (rejogado) 

Control

Gears of War 4

Gears 5

Forza Motorspot 7

Forza Horizon 4

Halo Infinite 

The Medium

Doom Eternal 

Ryse Son of Rome

Dirt 5

A Plague Tale Innocence

Zombie Army 4

Dark Souls 

Dark Souls 2

Dark Souls 3

Sekiro


Menção honrosa: Fifa21 (melhor marca: 3⁰ divisão)

sexta-feira, 18 de março de 2022

Senhor das Moscas - William Golding

Um clássico presente em tudo quanto é lista de melhores livros. Seu autor, William Golding, tem na lareira um Nobel e um Booker Prize. Mesmo assim, sempre que eu lia a sinopse achava que não iria gostar, pois comecei a ler e realmente fiz um certo esforço pra manter a motivação até o fim. Quando não curto um livro consagrado, procuro entender a razão, mas a verdade é que alguns livros simplesmente não vão te agradar, independente da qualidade.

Senhor das Moscas tem escrita acadêmica correta e usa bastante metáfora. Trata de um grupo de crianças e pré adolescentes que sobrevive a queda de um avião e se vê isolado numa ilha. Na luta pela sobrevivência, duas figuras antagônicas se destacam na disputa dos corações e mentes, Ralph e Jack. A situação central é rapidamente apresentada, sem muita explicação, ponto para o escritor. O duro dia a dia e a inevitável caminhada para barbárie também é corretamente desenvolvida. Um livro que pode incomodar e acionar gatilhos nos mais sensíveis.

Mesmo com todas as qualidades, demorei pra terminar, as vezes inclusive me forçando a retornar a leitura. O grau de interesse estava baixo, problema meu, claro. Leia e tire suas conclusões. 

3 estrelas