quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

Adeus, Minha Adorada - Raymond Chandler

 Infelizmente li a versão traduzida pela Marina Leão, um verdadeiro desastre que me forçou a fazer um exercício de "retradução": baseado no bizarro resultado eu imaginava o que a pessoa tinha lido em inglês e fazia a minha própria tradução.

Ok, esquecendo este grave problema, temos aqui Chandler no melhor de sua forma, um texto afiado como uma navalha. É a escola clássica a pleno vapor, a pedra angular do hard-boiled/noir que originou milhares de discípulos e imitadores: trama rocambolesca, plot twist, femme fatale, policiais corruptos, bandidos, trambiqueiros e claro, o anti-herói lutando contra o sistema, detetive particular Philip Marlowe.

Mesmo já muito imitado, o estilo Chandler ainda me surpreende. A fauna de personagens e situações por vezes beira o surreal. Como nas sequências envolvendo um índio e uma "casa de repouso". Não é a toa que o escritor tem tantos fãs ilustres não apenas nas letras, mas no cinema também.

Procure alguma edição sem a tradução da Marina e seja feliz. Isso aqui é a essência da pulp fiction, básico e indispensável na formação de qualquer leitor.

4 estrelas

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

Adeus PlayStation 4

 A 8⁰ geração de videogames, que neste momento se encerra pra mim, durou 7 anos e foi basicamente dominada pelo PlayStation 4. Longa, mas não particularmente marcante (o PS 2 continua Rei). O ponto alto foi The Witcher 3, melhor jogo da história dos games. O ponto baixo foi a ausência de um GTA inédito. Lista dos 20 que mais gostei:


The Witcher 3


Metal Gear Solid 5


Horizon Zero Dawn


Dragon Age Inquisition 


Assassins Creed Odyssey 


The Last of Us Remastered 


Batman Arkham Knight


Tomb Rider Remastered


Rise of the Tomb Raider


Shadow of the Tomb Raider


Fallout 4


Watch Dogs 2 


Resident Evil 2 Remake


Resident Evil 7


Red Dead Redemption 2


God of War (2018)


God of War 3 Remastered


Doom (2016)


Uncharted 4


Need for Speed Payback

sábado, 30 de janeiro de 2021

O Teatro de Sabbath - Phillip Roth

A década de 1990 foi o ápice de Philip Roth. O escritor arrebatou o National Book Award, Pulitzer e a National Medal of Arts, entre outros prêmios (menos "aquele"). O Teatro de Sabbath pertence a essa grande safra: acompanhamos aqui a trajetória do sessentão Mickey Sabbath, ex marinheiro, titereiro e libidinoso convicto. Provavelmente um dos personagens mais desagradáveis da história da literatura.

Nas mais de 500 páginas, Roth vira do avesso a vida desse bufão e do leque de personagens que teve a infelicidade de cruzar seu caminho. Longos diálogos vem entremeados por flashbacks onde vários dramas são intimamente dissecados. Um material pesado perturbador.

O livro é acima de tudo sobre sexo e morte. Então fique avisado que aqui tem sexo explícito e perversões que suponho só serem encontradas em livros hot. Casamento e velhice são também temas centrais da obra, tudo abordado sem concessões.

Um trabalho desconcertante de um Roth inspirado e com fome de escrita. Sabbath, um pesadelo politicamente incorreto em forma de sexagenário, é daqueles personagens que os leitores costumam confundir com o autor, e é bem sabido que por essas e outras Roth foi criticado e boicotado (especialmente "naquela" premiação sueca).

Ora, te parece correto ficar com raiva do ator quando ele interpreta um personagem odiável? Tem pessoas que detestam Roth pela misoginia/machismo/sexismo de alguns de seus personagens, mas o que sugerem essas críticas? Que a literatura seja composta por personagens moralmente aceitáveis? Isso é a morte da arte. Caso houvesse alguma ode a esse tipo de conduta seria outra história, mas o que temos são personagens decadentes frente a frente com as consequências de seus atos. A metralhadora Roth não poupa direita e esquerda. Leia e tire suas conclusões.

Não preciso recomendar o maior escritor da segunda metade do século 20, preciso?

4,5 estrelas

domingo, 17 de janeiro de 2021

Desafio Literário 2021

Programação literária 2021. 20 livros é a meta de sempre. Claro que não é um objetivo inflexível, sempre tem novidade e livro não lido, mas funciona como guia do que me interessa no momento:

O Teatro de Sabbath - Philip Roth

O Espião Perfeito - John le Carré 

Belhell - Edyr Augusto 

Jazz Branco - James Ellroy 

Monte Cassino - Sven Hassel

Adeus, Minha Adorada - Raymond Chandler

Os Detetives Selvagens - Roberto Bolaño 

Doutor Fausto - Thomas Mann

Bufo & Spallanzani - Rubem Fonseca 

A Auto Estrada - Stephen King

Moby Dick - Melville 

O Clube Dumas - Arturo Péres-Reverte

O Inimigo de Deus - Bernard Cornwell 

A Amiga Genial - Elena Ferrante 

Duna - Frank Herbert 

O Processo - Kafka 

Caçando Carneiros - Haruki Murakami 

A Cor que Caiu do Espaço - H. P. Lovecraft 

Novelas Nada Exemplares - Dalton Trevisan 

O Rei do Mundo - David Remnick

sábado, 2 de janeiro de 2021

Lemmy - Mick Wall

 Das biografias que li do escritor, essa é a mais irregular. Um problema básico permeia toda a obra: Wall endeusa os 4 primeiros discos e subestima toda a discografia restante. O que resulta em injustiças e análises superficiais. Discos como Rock 'n Roll são resumidos a "produção pobre, canções mal feitas"; tem trabalho que sequer é comentado.

Mas não é só: 30% do material é dedicado ao Lemmy riponga e ao Hawkwind, chegando ao cúmulo de apresentar mini biografias dos membros da banda progressivoide. Chatice pura, claro.

A vantagem de Wall é que ele realmente conviveu, entrevistou, viu shows e foi até amigo dos vários artistas que biografou. Aqui não foi diferente, o esteio da obra são as várias entrevistas que fez com Lemmy ao longo dos anos. O problema é que Wall se agarra demais a esse material e ignora muita coisa. 

Mal traduzido, se fosse pra ser rigoroso eu daria 2 estrelas e meia, acontece que faltando uns 20% pro fim, Wall tira um curinga da manga e apresenta um belo apanhado dos últimos anos de um cambaleante Lemmy. Um surpreendente material que mostra lampejos do competente biógrafo que é. Foi o suficiente pra garantir 3 estrelas.

Está longe, quilômetros, de ser a biografia definitiva, mas os fãs do grande Motorhead vão se divertir, acredito.

3 estrelas

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

Melhores Discos de 2020

Alguém ainda escuta disco inteiro? rs. Os 10 melhores que escutei em 2020:


1 Sepultura - Quadra: melhor disco da carreira da banda, monstruoso, que me desculpem as viúvas do Max;

 

2 H.E.A.T - II: o hard rock está vivo e mora na Suécia;


3 The Night Flight Orchestra - Aeromantic: AOR + pop sueco + conceito esquisitão, não podia ficar de fora;


4 AC-DC - Power Up: escute porque é único e provavelmente o último;


5 Bruce Springsteen - Letter to You: o working class hero continua nos presenteando com grandes canções;


6 Onslaught - Generation Antichrist: inacreditável a porrada que é este álbum, taí uma banda subestimada;


7 Pride of Lions - Lion Heart: Jim Peterik, vaca sagrada do AOR, desfilando sua categoria;


8 Vader - Solitude in Madness: melhor disco da melhor banda de Death Metal, paulada de trincar os dentes;


9 Lionville - Magic is Alive: Lionetti e Säfsund replicando o mágico AOR dos 80's;


10 Miley Cyrus - Plastic Hearts: ia colocar o Testament novo, mas o da Hannah Montana é melhor.

domingo, 20 de dezembro de 2020

Os 10 melhores que li em 2020

1 A Insustentável Leveza do Ser - Milan Kundera: obra-prima avassaladora, livro do ano; 

 2 Coração das Trevas - Joseph Conrad: mesmo com restrições das patrulhas ideológicas, segue vigoroso; 

 3 O Grande Deserto - James Ellroy: noir atômico! Aula de hard-boiled; 

 4 Adeus às Armas - Ernest Hemingway: preciso como um relógio, mestre da economia textual; 

 5 Pssica - Edyr Augusto: um passeio pelo inferno a 1000 km/h, genial; 

6 O Fim da Eternidade - Isaac Asimov: brilhante clássico sobre viagens no tempo;

7 1933 Foi um Ano Ruim - John Fante: é a prosa mágica de Fante; 

8 O Irlandês - Charles Brandt: impressionante relato de um assassino da máfia; 

9 The Dirt - Neil Strauss: historinhas da banda mais infame do mundo, Motley Crue; 

10 Ficções - Jorge Luis Borges: contos brilhantes e por vezes herméticos.