terça-feira, 11 de maio de 2021

Doom Eternal (Xbox Series S)

Que jogo sensacional! É a experiência first-person shooter definitiva: um dos melhores e mais difíceis jogos da história dos videogames. Não adianta eu ficar aqui falando, vá lá e confira pessoalmente a coisa.

A história é básica, o planeta Terra foi invadido pelo inferno e você,  "o cara do Doom", vai ter que matar todos os demônios que encontrar pela frente, no melhor estilo "one man army". Perfeição era a meta da equipe do jogo e eles não contaram conversa: entregaram gráficos inacreditáveis, direção de arte de cair o queixo, música de arrebentar e o sistema de combate mais intenso já registrado. Tradicionalmente, ficar parado em Doom significa morte certa, então correr, pular e esquivar o tempo todo é o "b a ba" da sobrevivência. 

É brutal, instintivo e ao mesmo tempo cerebral, pois o jogador terá que administrar uma gama enorme de comandos, variações de armas e combates, tudo decidido no calor do momento, correndo de bilhões de inimigos e balas. Você morre só de olhar um botão, morre ao dar um espirro...e por falar em morte, bem, aqui você não vai morrer uma e nem dez vezes, vai morrer centenas, milhares de vezes. O jogo vai chutar teu traseiro, vai te moer até tu criares vergonha na cara e jogar com toda a garra e técnica necessárias pra passar de fase. Vale ressaltar que nem tudo é tiro e bomba, temos aqui também um excelente jogo de plataforma, com saltos e puzzles de cenário realmente desafiantes.

Doom Eternal é uma experiência de deixar a pessoa acabada física e emocionalmente, mas no final você tira o chapéu e tem certeza de que acabou de experimentar um marco da indústria dos videogames.

Nota 10

quinta-feira, 29 de abril de 2021

O Inimigo de Deus - Bernard Cornwell

HBO e Netflix dormiram no ponto, a Trilogia Artur tinha potencial pra se tornar a nova Game of Thrones. Acabei de ler o livro 2 e digo que o material é explosivo, cinematográfico sem perder a pegada novelística. Pois foi comprada pelo canal a cabo Epix (MGM). Merecia destino mais nobre.

Inimigo de Deus, o segundo da trilogia, começa exatamente de onde terminou o primeiro: o fim de uma importante batalha e o início de um período de paz, que logo será perturbada pela ameaça saxã e pelas várias intrigas internas. Não é bom falar pra não estragar as surpresas. O livro tem mais de 500 páginas muito bem aproveitadas. Os calhamaços de Cornwell valem o investimento de tempo do leitor, ele tem muitas ideias e as conduz de forma a te tirar do sério, são VÁRIOS os momentos impactantes, reviravoltas desconcertantes, violência e traição. Chega a ser levemente superior ao primeiro da trilogia, O Rei do Inverno.

Cornwell não é um artesão da palavra, escreve toneladas de livros em ritmo industrial e tem seus momentos cafonas, dignos de novela mexicana (como a revelação sobre o passado de Derfel), mas tem a qualidade fortíssima de ser um contador de histórias nato, cheio de boas ideias que fazem valer a pena a leitura, ele tem REALMENTE algo a dizer, é indiscutivelmente um BOM escritor.

Depois da trilogia de Cornwell, você nunca mais vai ver as lendas arturianas da mesma forma, grande parte do material retratado em cinema, televisão e outros livros, vai parecer brincadeira de criança. Vale e muito a sua atenção.

4,5 estrelas 

quarta-feira, 28 de abril de 2021

The Medium (Xbox Series S)

Criado por uma pequena desenvolvedora polonesa, Bloober Team, este The Medium permanece como único exclusivo do Series X/S. Trata-se de um jogo indie de terror e investigação, com câmera fixa e visão em terceira pessoa, que bebe na fonte dos primeiros Resident Evil e Silent Hill.

Aparentemente ele poderia rodar na antiga geração, mas segundo consta, os momentos de tela dividida em 2 mundos fariam as antigas máquinas sofrerem. Amparado pela Unreal engine, temos aqui bons gráficos rodando a satisfatórios 30fps e limitadas mecânicas de jogabilidade. Você praticamente só corre, lê, e faz uso de 3 poderes.

A história é basicamente sobre uma garota com poderes mediúnicos (contato com espíritos e mundo espiritual), que recebe uma mensagem que pode ser a chave para revelações de seu passado. A história, interessante, peca por querer ser muito complexa, cheia de nomes, situações e acontecimentos que mesmo apreciados com atenção, podem confundir e frustrar. O quebra cabeças só vai fazer sentido no final e mesmo assim ficam pontas soltas e situações obscuras. Deveriam dosar melhor o conteúdo.

A ambientação é pesada e pode incomodar os mais sensíveis. Quanto a diversão é um jogo mediano, alternando bons momentos de tensão com outros de tédio. A movimentação dos personagens é uma das mais lentas que já vi e os puzzles podem te deixar empacados, não exatamente por serem bem elaborados, mas por mecânicas ou outras tolices esquecidas no cenário. 

No saldo geral, entre coisas irritantes e interessantes, The Medium é um produto digno, que entrega uma experiência sólida e satisfatória, sendo indicado para quem quer algo diferente da receita tiro, porrada e bomba.

Nota 7

sexta-feira, 23 de abril de 2021

Forza Motorspot 7 (Xbox Series S)

Forza Horizon é mais divertido e provavelmente tem mais jogadores, no entanto nem mesmo tais credenciais são suficientes pra tirar de Forza Motorspot a coroa de melhor franquia de corrida do mundo. 

A sétima versão deste pilar da Microsoft, pega a fórmula dos anteriores e entrega a experiência mais aperfeiçoada possível: milhares de veículos e dezenas de circuitos ao redor do mundo retratados por gráficos, som e jogabilidade entre as melhores já produzidas, tudo rodando a lisos 60fps. É o state of art do gênero, deixando pra trás até mesmo seu lendário rival sonysta, Gran Turismo. 

O modo campanha é dividido em 6 torneios com dezenas de corridas cada, a vitória em um habilita o próximo e assim por diante. As máquinas são variadas, de superesportivos estilo Ferrari a caminhões gigantes, passando por race cars (Fórmula Indy, por exemplo) e chegando a sedãs convencionais, tem pra todos os gostos.

De cara eu aumentei a dificuldade e diminuí a assistência de direção, vai da sua habilidade. A AI dos pilotos adversários é ok, no entanto são pouco agressivos quando você assume a ponta. Vale lembrar que a série Motorsport é bem mais simulador que arcade, então esqueça saltos malucos e freio de mão, o negócio aqui é muita técnica, concentração e, quando possível, velocidade. Ah, antes que eu me esqueça, o melhor carro continua sendo o Porsche 918 Spyder!

Nota 9,5

domingo, 11 de abril de 2021

The Outer Worlds (Xbox Series S)

RPG da dupla de criadores de Fallout 1 e 2, aqui eles não se fizeram de rogados e buscaram inspiração no seu próprio clássico: The Outer Worlds apresenta aquele DNA já bem conhecido, que mistura tecnologia avançada com visuais vintage, mundo (s) pós-apocalíptico (s) e personagens carismáticos. Quase um Fallout espacial. 

Temos aqui toneladas de bons diálogos numa história sci-fi que prende a atenção: o protagonista, após hibernação de 70 anos, é reanimado e tem que se deparar com um universo inóspito e desconhecido. O texto vai de intrigas políticas a relacionamentos amorosos, passando por questões de amizade e honra que irão demandar difíceis escolhas. Tentei tomar as decisões mais justas possíveis, mas nem tudo é óbvio, as vezes 2 personagens antagônicos apresentam razões bastante plausíveis e cria-se o dilema. 

É um jogo de bom tamanho, não gigantesco, mas se você realmente se interessar a coisa bate as 30 horas. Tecnicamente não há nada impressionante, é um produto 100% da geração passada, com visual e cores bastante artificiais. Não chega a ser mundo aberto, temos áreas de razoável tamanho e loads (muito rápidos no Series S) na hora de acessar cidades e até mesmo prédios maiores. Agora eu recomendo fortemente que você domine os bagunçados menus do jogo, não importa o tempo que isso leve, do contrário algumas tarefas vão ficar bem difíceis, em especial a missão final.

Com muita coisa pra ler, sistema de evolução pra dominar e decisões a tomar, The Outer Worlds é um jogo pra entusiastas do formato, sólido e divertido o bastante pra em 2019 ter sido indicado ao GOTY do TGA. Experimente. 

Nota 8,5

segunda-feira, 5 de abril de 2021

Control (Xbox Series S)

Control é um pesadelo em forma de jogo de videogame. Fiquei surpreso, sabia que tinha elementos de terror, mas não que fosse tão assustador quanto os melhores momentos de Silent Hill e Resident Evil. A desenvolvedora Remedy aposta em produtos diferenciados: Max Payne, Alan Wake, Quantum Break, e agora este Control, que muitos vem considerando seu melhor jogo.

Não por acaso concorreu a dezenas de prêmios, inclusive ao Game of the Year do The Game Awards, o mais prestigiado da indústria. Tudo merecido, Control é simplesmente espetacular, uma mistura de medo e combates frenéticos poucas vezes (ou nunca) vista. Você acompanha a história de uma mulher a procura do irmão que estaria num órgão governamental chamado FBC, lá chegando começa um pesadelo no qual a protagonista é alçada a categoria de "Diretora" e tem que resolver uma série de mistérios envolvendo portais pra outras dimensões. Um caldeirão de referências que vai de 2001, passando por Stephen King, David Cronemberg, chegando a David Lynch, tudo muito bem orquestrado pelo roteirista Sam Lake (Max Payne e Alan Wake).

No Xbox Series S eu joguei a versão Game Pass, que apresenta texturas feias e 30fps cravados, sem queda de quadros (a otimizada roda a 60fps). A jogabilidade é de uma precisão admirável, atirar e usar os poderes é funcional e divertido. O nível de desafio é amargo e vai fazer sofrer até jogadores experientes, já que as ordas de inimigos atacam de maneira coordenada e em grande número. A quantidade de partículas na tela é outro ponto digno de nota, juntamente com a música e o design de fases de impressionante arquitetura.

Além da textura/resolução ruim, outro fator que impediu este grande jogo de tirar uma nota 10 foi o sistema de mapas: sério, é muito difícil saber pra onde ir, deixei inclusive de realizar missões secundárias em virtude disso. Vai frustrar, vai irritar, e depois de 10 horas você vai continuar se perdendo, some isso a um sistema de upgrade pouco intuitivo e já temos um bom pacote a ser melhorado pra um próximo da franquia.

Entre prós (muitos) e alguns contras, Control é daqueles jogos fora da curva que faz um videogame valer a pena. Brilhante. 

Nota 9,5

segunda-feira, 29 de março de 2021

Dirt 5 (Xbox Series S)

A franquia número 1 de corridas off road chega ao seu quinto game. Continua arcade até a medula, inclusive eu recomendo que de cara você mude a dificuldade pra difícil e diminua a assistência de direção, do contrário a coisa vai ficar tão fácil que perde a graça.

No modo carreira você vai vencendo e abrindo novas corridas, são basicamente 5 temporadas com dezenas de corridas cada. É divertido? É, mas depois de um tempo não tem mais novidades, mesmo com um grande número de pistas espalhadas pelo mundo inteiro (Brasil inclusive), você acaba correndo várias vezes em cada uma delas.

Um podcast bem divertido vai conduzindo a jornada e dando uma cara de enredo pra coisa, tudo bem superficial, claro, apenas nas 2 últimas corridas há uma ligação direta com os assuntos ali tratados (onde você enfrenta o vilão e depois o seu próprio mentor).

O lance aqui não é velocidade, é sim controlar as máquinas em terrenos inóspitos. A AI é irregular, mas na maior parte do tempo bem fraca e pouco agressiva. Apesar do jogo rodar liso e cravado em 60 fps, nem tudo são flores no Series S, algumas texturas ruins e cores borradas estão lá pra atrapalhar. O jogo é lindo e feio ao mesmo tempo, tente entender...

Pra quem procura diversão automobilística desencanada, sem preocupações com tunagem, vale experimentar.

Nota 8