domingo, 11 de abril de 2021

The Outer Worlds (Xbox Series S)

RPG da dupla de criadores de Fallout 1 e 2, aqui eles não se fizeram de rogados e buscaram inspiração no seu próprio clássico: The Outer Worlds apresenta aquele DNA já bem conhecido, que mistura tecnologia avançada com visuais vintage, mundo (s) pós-apocalíptico (s) e personagens carismáticos. Quase um Fallout espacial. 

Temos aqui toneladas de bons diálogos numa história sci-fi que prende a atenção: o protagonista, após hibernação de 70 anos, é reanimado e tem que se deparar com um universo inóspito e desconhecido. O texto vai de intrigas políticas a relacionamentos amorosos, passando por questões de amizade e honra que irão demandar difíceis escolhas. Tentei tomar as decisões mais justas possíveis, mas nem tudo é óbvio, as vezes 2 personagens antagônicos apresentam razões bastante plausíveis e cria-se o dilema. 

É um jogo de bom tamanho, não gigantesco, mas se você realmente se interessar a coisa bate as 30 horas. Tecnicamente não há nada impressionante, é um produto 100% da geração passada, com visual e cores bastante artificiais. Não chega a ser mundo aberto, temos áreas de razoável tamanho e loads (muito rápidos no Series S) na hora de acessar cidades e até mesmo prédios maiores. Agora eu recomendo fortemente que você domine os bagunçados menus do jogo, não importa o tempo que isso leve, do contrário algumas tarefas vão ficar bem difíceis, em especial a missão final.

Com muita coisa pra ler, sistema de evolução pra dominar e decisões a tomar, The Outer Worlds é um jogo pra entusiastas do formato, sólido e divertido o bastante pra em 2019 ter sido indicado ao GOTY do TGA. Experimente. 

Nota 8,5

segunda-feira, 5 de abril de 2021

Control (Xbox Series S)

Control é um pesadelo em forma de jogo de videogame. Fiquei surpreso, sabia que tinha elementos de terror, mas não que fosse tão assustador quanto os melhores momentos de Silent Hill e Resident Evil. A desenvolvedora Remedy aposta em produtos diferenciados: Max Payne, Alan Wake, Quantum Break, e agora este Control, que muitos vem considerando seu melhor jogo.

Não por acaso concorreu a dezenas de prêmios, inclusive ao Game of the Year do The Game Awards, o mais prestigiado da indústria. Tudo merecido, Control é simplesmente espetacular, uma mistura de medo e combates frenéticos poucas vezes (ou nunca) vista. Você acompanha a história de uma mulher a procura do irmão que estaria num órgão governamental chamado FBC, lá chegando começa um pesadelo no qual a protagonista é alçada a categoria de "Diretora" e tem que resolver uma série de mistérios envolvendo portais pra outras dimensões. Um caldeirão de referências que vai de 2001, passando por Stephen King, David Cronemberg, chegando a David Lynch, tudo muito bem orquestrado pelo roteirista Sam Lake (Max Payne e Alan Wake).

No Xbox Series S eu joguei a versão Game Pass, que apresenta texturas feias e 30fps cravados, sem queda de quadros (a otimizada roda a 60fps). A jogabilidade é de uma precisão admirável, atirar e usar os poderes é funcional e divertido. O nível de desafio é amargo e vai fazer sofrer até jogadores experientes, já que as ordas de inimigos atacam de maneira coordenada e em grande número. A quantidade de partículas na tela é outro ponto digno de nota, juntamente com a música e o design de fases de impressionante arquitetura.

Além da textura/resolução ruim, outro fator que impediu este grande jogo de tirar uma nota 10 foi o sistema de mapas: sério, é muito difícil saber pra onde ir, deixei inclusive de realizar missões secundárias em virtude disso. Vai frustrar, vai irritar, e depois de 10 horas você vai continuar se perdendo, some isso a um sistema de upgrade pouco intuitivo e já temos um bom pacote a ser melhorado pra um próximo da franquia.

Entre prós (muitos) e alguns contras, Control é daqueles jogos fora da curva que faz um videogame valer a pena. Brilhante. 

Nota 9,5

segunda-feira, 29 de março de 2021

Dirt 5 (Xbox Series S)

A franquia número 1 de corridas off road chega ao seu quinto game. Continua arcade até a medula, inclusive eu recomendo que de cara você mude a dificuldade pra difícil e diminua a assistência de direção, do contrário a coisa vai ficar tão fácil que perde a graça.

No modo carreira você vai vencendo e abrindo novas corridas, são basicamente 5 temporadas com dezenas de corridas cada. É divertido? É, mas depois de um tempo não tem mais novidades, mesmo com um grande número de pistas espalhadas pelo mundo inteiro (Brasil inclusive), você acaba correndo várias vezes em cada uma delas.

Um podcast bem divertido vai conduzindo a jornada e dando uma cara de enredo pra coisa, tudo bem superficial, claro, apenas nas 2 últimas corridas há uma ligação direta com os assuntos ali tratados (onde você enfrenta o vilão e depois o seu próprio mentor).

O lance aqui não é velocidade, é sim controlar as máquinas em terrenos inóspitos. A AI é irregular, mas na maior parte do tempo bem fraca e pouco agressiva. Apesar do jogo rodar liso e cravado em 60 fps, nem tudo são flores no Series S, algumas texturas ruins e cores borradas estão lá pra atrapalhar. O jogo é lindo e feio ao mesmo tempo, tente entender...

Pra quem procura diversão automobilística desencanada, sem preocupações com tunagem, vale experimentar.

Nota 8

sexta-feira, 26 de março de 2021

A Cor que Caiu do Espaço - H. P. Lovecraft

Um dos contos mais famosos do Lovecraft, e a fama é justa, A Cor que Caiu do Espaço é um belo exemplo do horror cósmico, marca registrada do escritor.

É basicamente sobre um meteorito de cor inexplicável que cai numa fazenda, mudando drasticamente flora, fauna e a vida da família que lá reside. Bem escrito,  sinistro, todo narrado em primeira pessoa e sem diálogos diretos (que dizem ser o ponto fraco de Lovecraft), a história traz um clima de mistério e desconforto que prendem a atenção do leitor.

Um voo de imaginação arrepiante de um escritor que realmente pode se vangloriar da originalidade, não é a toa que fez a cabeça de muitas celebridades do meio, como Stephen King e Clive Barker. Um Mestre, sem dúvida. 

4 estrelas

quinta-feira, 25 de março de 2021

Ryse: Son of Rome (Xbox Series S)

Do criador de Far Cry e Crysis, Cervat Yeli, Ryse: Son of Rome é um exclusivo Xbox que foi lançado juntamente com o Xbox One em 2013. O plano era que este triple A fosse o carro chefe do novo console, quem sabe até o God of War da Microsoft. 

Bem, a coisa não deu tão certo assim, Ryse acabou sendo recebido com frieza pela crítica (60/100 no Metacritic) e o Xbox One, por vários motivos que não cabem aqui, pegou uma surra de enxada do Playstation 4. Ok, mas e o jogo? Pode não ter cumprido as expectativas dos executivos da Microsoft, mas garanto que é um hack & slash bem divertido.

O enredo é desenvolvido de maneira decente, uma trama genérica, porém competente, sobre um soldado romano que é traído e busca vingança (inspirado no filme Gladiador, que por sua vez tinha Ben Hur como modelo). O jogo tem elementos de ação/aventura e claro, combates intermináveis. O sistema de luta é simples e funcional, controles em sua maioria respondem velozmente, e o espetáculo é temperado por finalizações brutais de espada e escudo.

Há algumas variações na ação, como nos momentos que você lidera uma formação de escudos e comanda algumas decisões táticas, mas basicamente você vai lutar até cair o dedo. O game ainda tem um visual bonito, acontece que os quase 8 anos já pesam na questão da câmera irregular e na AI dos chefes, muito fáceis e simples de vencer nesses tempos onde Souls-like é a referência.

A campanha deve ter por volta de 8 horas e pode ser finalizada num fim de semana, então pra quem procura diversão desencanada, descansar a mente entre jogos mais complexos, Ryse ainda hoje vale uma espiada. 

Nota 7,5

quarta-feira, 24 de março de 2021

Jedi Fallen Order (Xbox Series S)

Anos de produção sob a batuta do diretor de God of War 3, Stig Asmussen, investimento milionário digno dos melhores triple A, e o resultado ficou simplesmente acachapante. Sério, mesmo com ótimas credenciais ninguém esperava um jogo tão bom. 

Se você se perguntar o que faz um adulto ficar 15 horas "brincando" na frente de uma TV, dê uma olhada em Jedi Fallen Order, é uma máquina bem azeitada de pura e cristalina diversão. Você tem aqui décadas de fórmulas de sucesso condensadas num único produto, de Zelda, passando por Prince of Persia, chegando a Dark Souls, tudo impregnado com o autêntico DNA Star Wars. É incrível como o jogo honra o cânone.

O enredo, bem escrito, é impulsionado por personagens carismáticos que não fariam feio nas telas do cinema. Só não dou nota 10 por 2 motivos, primeiro que apesar dos inúmeros inimigos terem ataques exclusivos e os Chefes serem muito bem calibrados, ainda há pequenos bugs e falhas na AI; segundo que tem tanta coisa inspirada em outros jogos, como o combate Souls-like, que o quesito originalidade fica comprometido.

Mas isso é chatice de crítico, com o controle na mão você vai encarar toneladas de diversão e, de quebra, um final arrepiante do qual não se deve falar nada pra não estragar a surpresa.

Melhor e mais desafiador que qualquer um poderia supor (casuais vão morrer muito) o game vendeu merecidas 10 milhões de cópias. Que venha a sequência. 

Nota 9,5

Bufo & Spallanzani - Rubem Fonseca

Rubem Fonseca tem fama de ser melhor no conto, porém, dos 5 que li até agora meus preferidos são justamente os 2 romances, A Grande Arte e este Bufo & Spallanzani. O escritor faz valer cada linha das 238 páginas aqui presentes, é uma história torta, esquisita e recheada de ideias inusitadas, você não perde o interesse em nenhum momento.

Contador de histórias nato, temos aqui vários núcleos com pequenos dramas bem resolvidos, inclusive há uma mudança tão brusca de cenário no meio da trama, que me levou a crer que o Rubem, muito malandramente, costurou 2 contos distintos. Somos levados a uma situação Agatha Christieana clássica de whodunit, e eu, como fã da Rainha do crime, devo admitir que desconfiei da revelação final justamente por conta de um famoso livro dela.

Sempre afiado nos diálogos, bem humorado, o autor nos presenteia com uma coleção de ótimos e palpáveis personagens e situações, que ficam na memória após a leitura. Viva Rubem Fonseca!

4 estrelas