quinta-feira, 8 de julho de 2021

Gears of War 4 (Xbox Series S)

Gears é um dos pilares do Xbox, jogo vitrine da marca e ponta de lança na estratégia de vendas, sendo assim, não se poupam recursos e esforços para entregar sempre um grande jogo. Gears of War 4 (2016), primeiro exemplar da franquia na geração passada, repete a filosofia: um AAA com gráficos espetaculares, jogabilidade refinada e os mais altos valores de produção.

Eu tinha acabado de zerar Sekiro e precisava exatamente de um game assim, superdivertido e (quase) casual, uma montanha-russa de tiro, porrada e bomba. Não é feito pra você morrer, e sim pra avançar correndo e disparando em direção ao inimigo. A trama não é nada muito elaborada, mas cumpre seu papel: uma grande missão de resgate do pai e da mãe de dois dos protagonistas, pontuada por outros pequenos dramas.

Claro, 90% do tempo você vai atirar, mas há tanta coisa impressionante rolando na tela que não enjoa. Sem falar que o jogo foi turbinado pelo FPS Boost e agora roda a gloriosos 60fps. Ficou tão bonito que se dissesem que foi feito hoje todo mundo acreditaria.

Pra ganhar uma nota 9 faltou a adição de mais 2 ou 3 chefes realmente desafiadores (no Gears 5 tem de monte), mas tudo bem, o jogo cumpre com louvor sua função de blockbuster. Quem tem Xbox já sabe...

Nota 8,5

quinta-feira, 1 de julho de 2021

Novelas Nada Exemplares - Dalton Trevisan

Sabia da fama do Trevisan, mas confesso que fiquei surpreso: não esperava um texto tão econômico, veloz e violento. Se choca os mais sensíveis hoje, imagine em 1959. 30 contos distribuídos em pouco mais de 200 páginas. Acredite, todos bons, alguns MUITO bons. Ao final do terceiro conto eu já estava bastante impressionado com o poder de síntese do curitibano, com seu artesanato da palavra essencial.

Ledo engano de quem acha as histórias incompletas, os arcos são redondos e hábeis, é a pura arte do conto desfilando como uma aula pra nós leitores. Temos aqui uma fauna de desgraçados de toda espécie: loucos, sádicos, prostitutas, cornos, assassinos, pedófilos, estupradores, etc, que desfilam suas mazelas pela prosa implacável.

O texto é tão magro que não admite desatenção. Tudo muda de um parágrafo pro outro e todas as palavras são importantes (imagino quantas foram descartadas pra cada usada). Não que o livro seja difícil, é que se você não estiver conectado, realmente não vai entender. Digamos que dentre os 30 contos, 2 ou 3 são um pouco mais herméticos, mas é só.

Pra quem vive uma dieta rala de escritores brasileiros, Novelas Nada Exemplares é uma belíssima descoberta. Que venham outros do escritor.

4 estrelas

terça-feira, 29 de junho de 2021

O que li no primeiro semestre de 2021

Por ordem de preferência:

1 O Teatro de Sabbath - Philip Roth: este vencedor do National Book Award é um pesado livro sobre sexo e morte. Reflete bem a safra anos 90 de Roth, ápice do grande escritor americano;

2 O Inimigo de Deus - Bernard Cornwell: contador de histórias nato, Cornwell da sequência a Trilogia Artur com um livraço abarrotado de violência e traição; 

3 Adeus, Minha Adorada - Raymond Chandler: o mestre da pulp fiction num texto afiado como uma navalha, o mais puro hard-boiled estrelado por Philip Marlowe;

4 O Processo - Kafka: publicado após a morte do escritor, é uma avassaladora crítica ao judiciário e a toda opressão estatal;

5 Novelas Nada Exemplares - Dalton Trevisan: veloz e econômico, uma paulada desconcertante. Escreve demais o curitibano;

 6 Caçando Carneiros - Haruki Murakami: um sonho que num piscar de olhos vira pesadelo, Murakami é mais assustador que a maioria dos escritores de terror;

7 Bufo & Spallanzani - Rubem Fonseca: nosso grande escritor de romance policial em mais uma daquelas suas histórias tortas, malucas e divertidíssimas; 

8 A Cor que Caiu do Espaço - H. P. Lovecraft: aula do que seria o chamado "horror cósmico", estilo criado pelo próprio escritor;

9 Duna - Frank Herbert: livro de maior sucesso da história da sci-fi e também considerado um dos melhores. Com esse currículo fui esperando muito e me decepcionei, achei apenas bom;

10 Lemmy - Mick Wall: o experiente Wall pegou umas entrevistas, deu uma esticada aqui e ali, e lançou como biografia. Divertido, mas só.

segunda-feira, 28 de junho de 2021

Sekiro (Xbox Series S)

Com o aumento do mercado e o interesse das desenvolvedoras em atingir públicos cada vez maiores, os jogos ao longo dos anos foram ficando mais fáceis, a ponto de alguns praticamente te pegarem pela mão e te conduzirem até o final. Hidetaka Miyazaki teve a coragem de ser uma voz dissonante desde o momento em que lhe deram a oportunidade de dirigir um jogo, Demon's Souls, o embrião de um novo hype que foi crescendo devagar, a ponto de que quando chegou Bloodborne no PS4, as influências dessa nova tendência começaram a se fazer sentir na indústria, criando inclusive um novo rótulo: souls-like, usado pra identificar jogos de dificuldade elevada, onde morrer significa ser punido com perda de itens e level.

A nova tendência lançada pela FromSoftware/Miyazaki, se mostrou um sucesso de crítica e vendas, mas também trouxe um debate acalorado sobre acessibilidade nos jogos: a que ponto vale a pena investir seu dinheiro num jogo dificílimo, que demanda tempo, dedicação, e que no final das contas um percentual baixíssimo de compradores vai conseguir terminar? 

Já volto a este ponto, primeiro relato minha experiência com souls-like: começou com Bloodborne, achei de cara muito difícil. Passei do primeiro boss com dificuldade, no segundo boss comecei a perder sucessivas vezes e, consequentemente, ver meus itens sumirem. Entrei num círculo vicioso de farmar e perder que me levou as seguintes conclusões: isso não está sendo divertido; não estou a fim de dedicar tempo e esforço ao jogo; essa onda de souls-like não é pra mim. Troquei o jogo e dei o assunto por encerrado por um bom tempo. Até que anos depois Sekiro vence Game Awards e eu zero o espetacular Jedi Fallen Order (um quase souls-like), dois acontecimentos que despertam novamente minha curiosidade pela fórmula, entretanto segurei a onda em virtude da má experiência Bloodborne. Corta pra agora, 2021, o goty Sekiro baixa o preço pra 99,50 e aí não teve jeito, comprei.

Sabia da encrenca que estava me metendo. Pra piorar a FromSoftware não teve a decência de lançar uma versão em 60fps no Series S, ou seja, tive que "matar saudade" forçado do velho 30fps de guerra. Começa o jogo e no primeiro subchefe já morro umas 10 vezes. Vamo que vamo e no segundo já padeço mais de 20. No primeiro grande boss do jogo eu fico tão puto que desinstalo tudo prometendo nunca mais comprar um jogo da empresa (se fosse mídia física teria quebrado). Dois dias depois, resolvo instalar de novo pra jogar sem stress (tentando enganar a mim mesmo), passo pelo boss e começo minha jornada de 63 horas pelo jogo mais difícil do mundo.

Acho que a palavra correta não seria, diversão, aquilo não me parece exatamente divertido...é mais um lance de obsessão, superar limites...os vizinhos devem ter ficado irritados com a quantidade de rage que se tornou minhas jogatinas, meu mantra passou a ser "não vou quebrar meu controle". Se tem uma coisa que Miyazaki e sua equipe são geniais é na programação de boss, você aqui vai enfrentar batalhas tão absurdamente difíceis e desonestas, que ao final qualquer outro desafio gamer vai parecer infantil e tolo. O segredo pra não desistir do jogo é entender e aceitar 2 coisas: você vai morrer dezenas de vezes; você a cada morte deve aprender um pouquinho mais, pra aí sim vencer. É preciso tempo, paciência, persistência. Pra vencer chefes como Senhora Borboleta, Monja Corrompida, Genichiru Ashina e Guardião Primata, será necessário compromisso, humildade e perícia.

É aí que a mágica do jogo se revela, na sensação de recompensa a cada vitória, no sentimento de ter superado algo que poucos jogadores são capazes. Então entra novamente a questão que deu margem a inúmeros debates: acessibilidade. Sim, é um jogo excludente; sim, a grande maioria vai gastar dinheiro e não vai terminar. No final das contas é isso que Miyazaki produz: uma máquina que vai destruir tua autoestima, vai te tornar humilde na marra, pra depois te entregar o orgulho de pertencer a uma pequena elite da força de vontade, composta pela minoria capaz de zerar Sekiro. 

É mais que um jogo, é uma experiência mental que vai te deixar órfão esperando pelo próximo. A nota 10 vem pelo seguinte motivo: não há nada igual na indústria.

Nota 10

sábado, 19 de junho de 2021

Duna - Frank Herbert

Duna, o livro de maior sucesso comercial da história da sci-fi, 20 milhões de cópias vendidas, também aparece em qualquer lista de melhores do gênero, muitas vezes encabeçando a lista. Com essa folha corrida é compreensível esperar muito dele e comigo não foi diferente, a expectativa era alta.

Pois bem, acabei não gostando tanto quanto eu esperava. A primeira coisa que me chamou atenção foi o fato de ser pulp, mas se levar muito a sério, é tudo incrivelmente solene e desprovido de humor. Herbert adota ainda uma narrativa em terceira pessoa que transcreve o pensamento dos personagens entre aspas, recurso que particularmente não me agrada aqui.

Não é mal escrito, apenas um tanto tedioso para um leitor casual de sci-fi como eu. Muitas vezes me desliguei da prosa, outras tive dificuldade de conexão com tudo aquilo. Sim, o livro trata de política, ecologia, colonialismo e com certeza teve um grande impacto nos 60's (teriam os Freman um paralelo com o movimento hippie?), mesmo que hoje sua força esteja um pouco diluída pelas muitas imitações.

É uma história messiânica, sobre um planeta que fornece um recurso valiosíssimo para o universo, mas tem seu povo oprimido pelos colonizadores. Nesse cenário surge Paul Atreides, que ao que tudo indica se encaixa perfeitamente na descrição do Messias que vai levar os Fremen de oprimidos a senhores de Arrakis, ou Duna.

Há uma admirável construção de ambientação, com todo um vocabulário, costumes, demografia, etc. Apesar de eu não ter simpatizado com a escrita de Herbert, entendo o fascínio que Duna provoca ao longo de décadas, tanto que está em sua terceira adaptação para as telas (cinema, série de TV e agora cinema de novo). A história tem uma mensagem ecológica atualíssima e mais relevante que nunca. Com relação aos personagens, confesso que o que fez minha cabeça mesmo foi a bruxa bene gesserit Jessica Atreides, mãe de Paul. Paul mesmo é um tanto insípido, com suas limitações de santidade.

Um bom livro que não me conquistou da forma que eu imaginava, no entanto, você deve experimentar pra entender o porquê de tantos amarem este clássico. Leia e forme sua própria opinião.

3 estrelas

quinta-feira, 17 de junho de 2021

Need for Speed Heat (Xbox Series S)

A primeira vez que testei Heat, ainda no PS4, não gostei. Estava sob efeito do ótimo Payback e achei tudo lento e feio. Acontece que eu estava REDONDAMENTE enganado. Graças ao gamepass tive a oportunidade de dar uma nova espiada no jogo e...foi o que bastou pra entender o quanto fui traído pela minha percepção. Heat é veloz, belo e muito divertido. 

O jogo resgata a tradição dos clássicos Underground e Most Wanted, aqui você tem como cenário uma incrível Miami digital (Palm City), onde fervilham corridas de rua ferozmente combatidas por policiais corruptos. Nada que vá render um Oscar de roteiro, mas diverte. Need sempre foi assim, uma espécie de Malhação sobre rodas, pra desencanar, desestressar e atacar curvas a 200 por hora. 

Além da campanha principal, na qual você vai escolher o carro pista/estrada mais veloz possível, temos ainda provas de drift e off-road. Dica de ouro pra você não gastar fortunas em carros incapazes de vencer: pegue o Mazda RX7 pra drift e a BMW X6 M '16 pra off-road.

Uma pena que Heat não esteja otimizado pra atual geração, já que é um baita jogo lindo, principalmente quando você está em Miami Beach fugindo da polícia a mil pela Ocean Drive.

Se vale a pena? Claro,  contanto que você curta jogos de corrida, e quem não curte?

Nota 8,5

segunda-feira, 7 de junho de 2021

A Plague Tale: Innocence (Xbox Series S)

Uma pérola que não teve a merecida atenção. Ok, as vendas passaram de 1 milhão de cópias e ele foi bem recebido pela crítica, mas ainda é pouco. O que temos aqui é uma inesquecível história passada na Europa do século 14, onde a peste negra dizimava a população e a Igreja católica exercia enorme poder.

Acompanhamos a trajetória dos irmãos Amicia e Ugo, perseguidos implacavelmente pela Santíssima Inquisição em razão de um segredo guardado no sangue do garoto. No caminho vamos encontrando personagens bem delineados como Beatrice e Rodrix, tudo amparado por um excelente roteiro que mistura misticismo, elementos sobrenaturais e realismo mágico.

É um jogo indie com alma de AAA, onde você vai exercitar habilidades stealth em meio a ótimos gráficos (30fps, obviamente, mas sem nenhuma queda de frames no Series S). Tem muita coisa boa aqui, sistema de combate, chefes, árvore de evolução, nada muito complicado, o objetivo é manter você ligado na narrativa. O jogo é absolutamente linear e você só tem uma ou duas formas de passar pelos obstáculos. Agora, se no início a coisa parece fácil, espere só mais adiante...aqui se morre muito, mas muito mesmo, cuidado pra não jogar o controle na TV.

Parabéns pra francesa Asobo Studio, fez um jogão intenso, divertido e marcante, mesmo sem super orçamento. É obrigatório pra quem quer variar a dieta "tiro, bomba e explosão" tão comum nos games.

Nota 8,5